Patagônia Chilena – Entre o céu e as montanhas

outubro 16, 2018 blogdoguru No comments exist

O belíssimo Parque Torres del Paine é perfeito para os viajantes loucos por natureza, fotografia e caminhadas que podem durar alguns minutos ou mesmo dias. Não faltam paisagens escandalosas de geleiras, vales, pampas e lagos.

Reserva da Biosfera pela Unesco e uma das novas maravilhas do mundo, o Parque Torres del Paine arrebata uma legião de turistas apaixonados por natureza e trekking. São 242 mil hectares recheados por glaciares, montanhas, vales, cachoeiras, pampas e os belos lagos Sarmiento, Grey, Nordenskjold e Toro. O maciço Paine formou-se há mais de 12 milhões de anos. O parque ganhou esse nome por conta das três torres de Granito que despontam em meio ao conjunto montanhoso.

Gaucho Pastoreia Seu Rebanho
Gaucho pastoreia seu rebanho

Como chegar?

A principal cidade de acesso é Punta Arenas com voos diários a partir de Santiago durante todo o ano. Dali são aproximadamente 4 horas e 30 minutos de carro para chegar ao parque. Durante o verão também é possível voar até Puerto Natales e dali são 2 horas de estrada. O trajeto é longo mas a paisagem já indica a grandeza do lugar e prepara o espirito para esta região de extrema beleza. Próximo a Puerto Natales esta localizada a “Cueva del Milodon”, local onde foi encontrado o fóssil deste animal pré histórico único desta região do mundo. Vale a pena passar por ali, esticar as pernas e conhecer o local.

Ilha do Lago Pehóe
Ilha do Lago Pehóe

Onde hospedar-se?

Selecionamos 2 opções que estão dentro ou muito próximas ao parque Torres del Paine.

Tierra Patagonia Hotel & Spa – situado bem na fronteira do parque, o hotel segue o conceito de integração com ambiente – são apenas 40 quartos idealizados dentro de um projeto horizontal em que a construção não se sobrepõe à paisagem. Térreo, ele é feito todo com madeira da região e vidro. Seus grandes janelões cobrem sua extensão de ponta a ponta e fornecem vistas permanentes e irretocáveis do Maciço Paine e do Lago Sarmiento.

Explora Patagonia – localizado as margens do lago Pehoé dentro do parque. Oferece Spa com Jacuzzi ao ar livre, piscina interior aquecida, saunas e salas de massagem. Conta com 49 apartamentos divididos em 3 categorias que vão de 28 a 42 m² e combinam simplicidade e conforto. Você terá vistas impressionantes do Maciço Paine e cachoeira Salto Chico.

Tanto o Tierra quanto o Explora funcionam com sistema de pensão completa e all-inclusive de passeios. Tudo acompanhado pelos melhores vinhos chilenos. Hóspedes e guias decidem em conjunto o que será feito, sempre considerando as condições do clima e o preparo físico de cada um – as atividades são classificadas em fácil, média e difícil. Há possibilidade de conciliar saídas de meio dia e aproveitar o restante no hotel ou optar por excursões que levam o dia inteiro. São diversas opções de passeios entre trekking, cavalgada, navegação, bike, pesca, birdwatching.

Guanacos na Laguna Azul
Guanacos na Laguna Azul

O que conhecer?

Existem opções para quem quer caminhar muito e também para quem quer apenas desfrutar da paisagem sem ter que se tornar um aventureiro. Para os turistas que querem fazer trekkings, existem opções para todos os perfis e expectativas. O mais famoso deles, o Circuito W, estende-se por 63 quilômetros abraçando o Maciço Paine. São cerca de cinco dias de caminhada com a possibilidade de levar a barraca e a comida nas costas ou optar pelos refúgios, que são como albergues que oferecem acomodação e comida (custa cerca de US$ 1.100 os cinco dias). Quem deseja conhecer a Patagônia com conforto e em doses homeopáticas, vale investir em um bom hotel na região.

Praia de gelo

A ida até a beira do Lago Grey é um dos ápices da viagem. É um passeio bem democrático, com uma caminhada leve e beleza para todos os lados que se olha. A maneira mais comum e realizá-lo é ir de van até a entrada que dá acesso à área do lago. Após cruzar uma pequena ponte, o Grey se apresenta com suas águas de tonalidade cinza e uma prainha formada por pedriscos pretos.

Glaciar Grey
Glaciar Grey

Ao andar à beira d’água, é possível ver vários pedaços de gelo que chegam à areia vindos da geleira. É irresistível pegar um com as mãos e dar uma lambidinha em um bloco congelado de mais de 2 mil anos. A caminhada continua por uma trilha curtinha que termina no mirante voltado para o glaciar e para a imensidão do lago (com superfície de 30 km2 e profundidade que chega a 600 metros).

Quem optar por tomar o catamarã chegará bem próximo do glaciar Grey ao longo de um belo passeio com cerca de três horas de duração. Com tempo estável, ele sai diariamente; mas é mais recomendável fazê-lo nos dias ensolarados para ver o glaciar com sua coloração de um azul impressionante. Algumas saídas oferecem aos turistas um brinde com “gelo glacial”.

Cavalgadas

As experiências de gelo e montanha ganham um contraponto interessante ao trocar o trekking pelas cavalgadas. É uma boa para dar um alívio para as pernas e oferece uma experiência diferente explorando os bosques de lengas e as pradarias. Várias estâncias da região oferecem passeios a cavalo, conduzidos pelos próprios gaúchos ou baqueanos (vaqueiros). Eles andam paramentados com as calças no estilo bombacha, lenços e chapéu – mas sempre com roupas térmicas por baixo porque não dá para brincar com o vento da região.

Estancia Guido, Estancia El Lazo e tantas outras oferecem esse tipo de experiência. Nelas, é possível contratar cavalgadas, provar o cordeiro assado na brasa, participar da alimentação de animais, observar pássaros e a tosquia de ovelhas.

A verdade é que não importa qual passeio pelo parque o visitante escolhe, as belas paisagens e o contato genuíno com a natureza são sempre gratificantes. E isso não é de agora. Quando o naturalista inglês Charles Darwin esteve explorando essas bandas a bordo do barco H.M.S Beagle, há mais de 200 anos, já tinha sido impactado por tudo o que viu “Por que esta terra inóspita cativa minha mente? Encontro difícil de explicar. Mas poderia ser em parte porque aumenta os horizontes da imaginação.” Sim, Darwin, é um encontro difícil de explicar e de esquecer!

Mais passeios, mais paisagens

Mais ao norte do parque, a Laguna Azul é um ponto incrível para fotografar as três torres. Pode ser uma parada rápida apenas para contemplação ou render uma caminhada às margens da laguna para encontrar espécies de aves e entrar em um bosque de lenga. Outra laguna que rende belos cliques é a Amarga, especialmente se conseguir ver flamingos. O nome vem do fato de suas águas serem quatro vezes mais salgadas que o mar.

Base Torres

O passeio mais clássico da região consiste em um trekking de 18 quilômetros (oito horas de caminhada) para chegar aos pés das três torres de granito e dali poder fotografá-las e admirá-las do melhor ângulo. Não precisa ser nenhum atleta para realizar, mas é uma caminhada dura e exaustiva e exige um nível médio de preparo físico. O trajeto mescla trechos de caminhada leve com subidas íngremes e desafiantes. São quatro horas para chegar à base das torres e mais quatro para voltar. Apesar do esforço, a paisagem é recompensadora.

Base Torres
Base Torres

Vale a pena levar binóculo para conseguir observar as aves – tivemos tanta sorte que vimos filhotes de condor e de águia “tomando aulas” de como voar. Lá do alto, as fotos rendem selfies lindas e cliques incríveis do parque. Depois de um descanso de alguns minutos, vem a descida íngreme que pede uma ajuda dos bastões de sustentação para evitar tombos. Tarefa cumprida, a van espera com comidinhas, chás e a Austral, a cerveja local, para um merecido brinde.

Outra opção de trekking é o caminho batizado como Paso de Agostini. São 11 quilômetros de trilha, passando por bosques de lengas e pelas lagunas Totora e Honda. Boa parte da caminhada é tranquila, apenas precisando desviar de troncos no chão e poças d’água. Na metade do caminho, cada um pega seu lunch box na mochila (que foi preparado pelo hotel) e descansa um pouco antes de continuar. A parte mais complicada fica no final, ao chegar ao estonteante mirante com vista para o Lago Toro, o maior da região, e o Rio Paine, que precede a descida por uma encosta de chão de pedriscos escuros que deslizam enquanto você pisa. Uns três tombinhos leves depois, caminhada concluída!

São mais de 250 quilômetros de trilhas espalhadas pelo Parque que passam por planices e às margens de lagos e geleiras

As mais belas paisagens

Para dar fôlego às pernas, é importante mesclar as atividades e seus níveis de intensidade. Uma das maneiras mais tranquilas de conhecer e entender a região é ir até os mirantes de van.

Comece pelo Mirante Paine, que fica cara a cara com as Torres del Paine, os três picos que nomeiam o parque. Formações como os “cuernos”, nome devido ao formato de chifre, também podem ser admiradas e fotografadas. A alguns bons quilômetros dali (os deslocamentos dentro do parque são sempre longos), o Maciço Paine é o pano de fundo para o Salto Chico, queda d’água formada pelo Lago Nordenskjold, que deságua no Lago Pehoe. O movimento ali é grande não apenas para fotografar mas pelo vaivém de visitantes que chegam de catamarã ou que estão ali para fazer a navegação de 30 minutos até outros trechos do parque, entre eles a ida ao Vale do Francês – um trekking de oito horas que culmina no belo mirante situado no Glaciar do Francês.

Voltando para a van e contornando o Lago Pehoe, outra foto de cartão-postal pula à frente. No lago de cor esmeralda há uma pequena ilha ligada à terra por uma ponte. A idílica casinha vermelha é o endereço do hotel Pehoe. Para um almoço com vista, aposte no restaurante dali. Outro ponto para comer olhando a paisagem é no restaurante do hotel Pampa. No cardápio, opções como salmão, centolla (o gigante caranguejo) e o cordeiro patagônico não fogem à regra da comida encontrada por ali.

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