Patagônia Argentina – El Calafate e Ushuaia (PARTE 2)

novembro 13, 2018 blogdoguru No comments exist

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Não estava nos planos. Quando a neve acabou no Canadá, a equipe toda precisou descer até o fim do mundo em busca de montanhas, gelo, rio, luz natural. Ali, na Patagônia argentina, as filmagens levaram dez dias extenuantes para garantir as cenas finais de O Regresso, especialmente ao redor do Rio Olivia. Assim, Ushuaia, a cidade que serviu de base para a produção indicada ao Oscar em 12 categorias, pode se orgulhar de ter feito parte da árdua missão de finalmente conceder uma estatueta a Leonardo DiCaprio – ou, mais uma vez, de chegar muito perto disso.

Mas, obviamente, Ushuaia tem mais do que se orgulhar. Com 60 mil habitantes, é a cidade mais ao sul do mundo, estrategicamente localizada à beira do Canal de Beagle, um estreito que conecta o Pacífico ao Atlântico ao longo de quase 250 quilômetros. É também a porta de entrada para o Parque Nacional Terra do Fogo, mais um reduto de bosques, trilhas, lagos e geleiras da Patagônia. Combinar El Calafate e Ushuaia em um mesmo roteiro, dividindo uma semana entre ambas, é uma boa e clássica ideia. O voo de uma a outra leva apenas uma hora – ainda que alguns mais dispostos se aventurem a dirigir mil quilômetros pela Ruta 40, atravessando o Chile.

Trem do fim do mundo
Trem do fim do mundo

Apesar das condições climáticas, é longa a história de presença humana na região – outro fator de orgulho para Ushuaia. Antes de os europeus chegarem sob o comando de Fernão de Magalhães, em 1520, povos indígenas já viviam de forma nômade por ali, como os yámanas e os onas. Foram suas fogueiras acesas em canoas que, avistadas pelos navegantes, renderam à gélida área o nome de Terra do Fogo. A ocupação definitiva, porém, só veio a acontecer em meados do século 19, trazendo colonos espanhóis e ingleses, ao mesmo tempo que se dizimava a população nativa. A história toda pode ser conferida em museus no centro da cidade, com o Do Fim do Mundo e o Yámana.

Um presídio erguido na então periferia do povoado foi, por um bom tempo, a força motriz da economia local. Tão importante que o prédio, depois de desativada a cadeia, virou um complexo de museus “quatro em um”. Tem o Museu Marítimo, que aborda com maquetes e fotografias a história da navegação na área, os costumes dos povos nativos e a vida dos colonos; o Museu Antártico, que expõe modelos de barcos das expedições antárticas; o Museu de Arte Marinha, com acervo de obras regionais; e o Museu do Presídio, que, ocupando as antigas celas com mobília, objetos e roupas originais, mostra como era a rotina dos detentos e dos funcionários. É interessante seguir até o pavilhão que se conserva tal qual naquela época.

Mas, se estamos na Patagônia, é ao ar livre que queremos passar nosso tempo – e são essas atrações turísticas que hoje movimentam Ushuaia e seu porto, onde navios atracam durante suas jornadas rumo ao extremo Cabo Horn, ao Chile ou à Antártida (que está só a mil quilômetros dali). Do Muelle Turístico saem os passeios que exploram o Canal de Beagle – batizado em homenagem ao navio que trouxe Charles Darwin em suas expedições naturalistas.

Foi atrás de vida que o cientista britânico veio no século 19 e é atrás de vida que vão os turistas hoje. O passeio mais procurado visita Isla de los Lobos, onde leões-marinhos se esparramam preguiçosos, e a Isla de los Pájaros, tomada por cormorões nativos da Patagônia. Também passa pela ilhota do icônico farol Les Éclaireurs – chamado erroneamente de “Farol do Fim do Mundo”, em alusão à obra de Júlio Verne –, e pode incluir desembarque em algumas ilhas “desertas”, como a Bridges e a H, para caminhadas.

Ainda que alguns barcos naveguem nos arredores da Isla Martillo, o interessante mesmo é contratar o passeio terrestre, com caminhada de uma hora na ilha – esta é a famosa Pingüinera, onde, de outubro a abril, vive uma simpática (e fedidinha) colônia de pinguins. Entre as aves velhinhas e as jovens que ficam na praia, mais os casais com filhotes em ninhos no interior da ilha, são mais ou menos 16 mil aves – a maioria é da espécie magalhânica, alguns gentoo e pouquíssimos rei.

A excursão inclui o traslado ida e volta (dá uma hora e meia até a Estancia Haberton, de onde sai a lancha), e uma visita ao Museu Acatushún, que coleciona carcaças de animais nativos da região – as de baleia impressionam pelo tamanho.

Apesar da interação com os bichinhos ser divertida e curiosa, devo dizer que meu passeio preferido foi o Lagos Off Road, em veículos 4×4. É um bom jeito de conhecer alguns destaques da região, rumo aos lagos Escondido e Fagnano – com direito a manobras de equilíbrio à beira de um penhasco. Ainda na estrada pavimentada, passamos pelos centros invernais, como o Cerro Castor, que, de junho a outubro, tem esqui a não mais que 1.100 metros de altitude. O nome da estação, aliás, não é por acaso: há castores canadenses vivendo aos montes nos bosques da região. Introduzidos nos anos 1940 para expandir a indústria de peles, eles são, hoje, verdadeiras pragas que destroem a vegetação ao construírem suas tocas, represando o rio – as chamadas castoreras estão por toda parte.

Deixando a rodovia, o circuito off-road em meio ao bosque leva até o grande e belo Fagnano, aos (muitos) trancos e solavancos. Quem enjoa fácil (e quem vai nos bancos de trás) precisa estar preparado. A vida não é fácil dentro de um 4×4, mas fica muito boa quando, depois de uma pequena caminhada às margens do lago, chegamos a uma cabana de madeira na qual os guias–motoristas preparam um autêntico churrasco argentino para o almoço, com direito a vinho e à companhia de simpáticas raposinhas. É mais ou menos como a própria Patagônia: o vento impiedoso e o frio cruel castigam, sim, mas só até que se aviste um lago turquesa, uma montanha sinuosa, uma geleira poderosa.

Parque Nacional Terra do Fogo

O jeito mais famoso de chegar ao Parque Nacional Terra do Fogo é a bordo do Trem do Fim do Mundo, que sai da estação de mesmo nome localizada a oito quilômetros de Ushuaia. Os trilhos reproduzem parte do trajeto percorrido antigamente pelos detentos em busca de lenha para os trabalhos no presídio. Ao longo de uma hora e de sete quilômetros, a maria-fumaça passa pelos rios Pipo e Lapataia, por um “cemitério de árvores” resultante do desmatamento, pela cachoeira La Macarena e pelas turfeiras, vegetação típica fueguina. Uma vez na estação final, já dentro do parque, vale ter combinado previamente uma excursão para conhecer os atrativos. São basicamente trilhas que passam pela Bahía Lapataia, o Lago Roca e a agência de correios mais austral do mundo – é possível incluir passeio em canoas.

Outros passeios

Sobrevoo de helicóptero: o roteiro mais em conta voa por sete minutos sobre a cidade, com vista para o canal e as montanhas. Outra opção, de meia hora, inclui aterrissagem no alto da cordilheira.

Laguna Esmeralda: cercada pelas montanhas, a lagoa surpreende pela cor das suas águas.

Laguna Esmeralda
Laguna Esmeralda

Cerro martial: a sete quilômetros de Ushuaia, é possível subir de teleférico ou por trilha. Caminhando, chega-se perto da geleira de mesmo nome. Tem pista de esqui no inverno, tirolesa, circuito de bike e arvorismo no verão, além de uma casa de chá fofinha.

Cerro Martial
Cerro Martial

Fonte: Viajar pelo mundo

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