Patagônia Especial

PATAGÔNIA: O PARAÍSO É LOGO ALI

Algumas viagens são realizadas por razões que vão além do mero desejo de visitar um novo destino. Elas surgem quase como uma necessidade de quem sonha cumprir um roteiro a ser preenchido de memórias para toda a vida. Quem escolhe Patagônia, cumpre essa missão.

Em qual lugar do mundo existem à disposição oitocentos mil quilômetros quadrados de território virgem? É um mundão de natureza inexplorada, habitado por quase ninguém. Ainda bem. Quem vai lá, prefere reservar o olhar para geleiras, rios, lagos e montanhas intocadas numa Patagônia em que o homem dá lugar a uma fauna diferente: puma, condor andino, baleias, lobos e elefantes-marinhos, pinguins.

Não falta, no entanto, estrutura turística. E das melhores. E não falta a quem vai, uma sensibilidade especial para admirar essa bela Patagônia que se divide em duas. Meio argentina, meio chilena, os dois lados rolam na neve na disputa de qual parcela dessa natureza é a mais bonita.

A Patagônia Argentina também se divide em duas: a andina e a atlântica. A primeira capricha em geleiras. A segunda se destaca por animais de vida marinha. Do lado chileno, a coisa é igualmente bela. O Parque Nacional Torres Del Paine está ao lado vizinha argentina – o que faz com que os dois países se misturem na oferta de natureza, chegando a um consenso: vale a pena visitar cada cantinho oferecido por eles.

Não dá para perder

Patagônia Argentina Atlântica

Península Valdés

O lugar que habitualmente recebe o visitante é Puerto Madryn, cidade referência a quem chega nessa bela região. Ela é praia repleta de atrativos. E dela segue-se à Península de Valdes que se apresenta como uma faixa árida de visual pouco comum. Ali existem salinas, deserto, falésias e um marzão azul profundo que é o lar da fauna mais deslumbrante: pinguins e baleias são alguns exemplos. Elefantes e lobos marinhos são
moradores regulares. Prepare o clique e registre toda essa beleza.
A partir de Puerto Madryn, não faltam atrações: na reserva da Península Valdes a chance é de encontrar baleias austrais. Seguindo para Punta Norte, são suas costas que recebem as orcas. Na região de Punta Tumbo e Cabo dos Bahias surgem milhares de pinguins entre setembro a março todos os anos.

Patagônia Argentina Andina (Austral)

O nome já diz tudo. Batizada pela cordilheira, a beleza dessa “patagônia” fica por conta da grandiosidade rochosa, do clima frio e úmido e consequente vegetação farta, geleiras, lagoas cristalinas e águas termais. Nada mal. Os glaciares são o principal cartão-postal e grande referência da região. Aliás, enorme referência. O parque nacional dos Glaciares ocupa 600 mil hectares sendo 30% dessa área de puro gelo. O quanto é isso? Antártica é grande, não? Groelândia, também. Pois o Parque é, depois delas, a região mais
coberta de gelo do mundo.

El Calafate

El Calafate é o ponto inicial de uma visita à região e é ponto de exclamação. Não falta surpresa a quem visita essa capital dos glaciares que reside às margens do lago Argentino. A população local tem 20 mil habitantes: pequena no tamanho, grande em simpatia. Rodeada de uma flora diversificada é aqui que se encontra o calafate, fruto que dá nome à cidade. Quanto à fauna, se destacam o puma, o zorro (um tipo de lobo) e o guanaco
(parecido com uma lhama).


Perito Moreno

Oitenta quilômetros distanciam El Calafate desse glaciar, talvez o mais famoso entre os mais de 300 da região. O caminho é um espetáculo. O ápice do show é o glaciar propriamente dito. Glaciar é um imenso e milenar bloco de gelo que se encontra em constante movimento. No caso do Perito Moreno é como ficar frente-a-frente a uma parede gelada com 60 metros de altura e cinco quilômetros de extensão. O processo de degelo gera uma corrente da água que faz pressão na borda da geleira que desaba. Não tem hora para acontecer. Às vezes, demora anos. Quem vê, é privilegiado por tamanha beleza.

Ushuaia é o fim

O mundo acaba aqui. Essa cidade, capital da Terra do Fogo, é a pontinha mais extrema da América do Sul. Ela é repleta de bosques, montanhas, rios e lagos e dela é possível sentir-se aventureiro numa exploração navegando pelo canal de Beagle, chegando ao Farol do Fim do Mundo, seguindo de sua baia à misteriosa terra gelada da Antártica. Imperdível!

Patagônia Chilena

Uma bela cidade sempre citada quando se fala dessa região no lado chileno é Puerto Varas. Sua colonização germânica criou as características arquitetônicas mantidas até hoje. É uma pequena Alemanha emoldurada pelos vulcões Osorno e Cabulco no horizonte. Também com sangue alemão, dividindo o Osorno como paisagem, existe Frutillar, um vilarejo, reduto de verão até mesmo dos próprios chilenos.

Punta Arenas, o outro fim

Se Ushuaia é o fim de mundo argentino, Punta Arenas é o chileno. As duas são consideradas as cidades mais austrais do mundo. A diferença é que Ushuaia fica numa ilha e Punta Arenas está no continente. Afora isso, em beleza, as duas se igualam. Punta Arenas nasceu à beira do Estreito de Magalhães (braço de mar que liga Pacífico e Atlântico), cresceu muito e é capital da Patagônia chilena.

Torres Del Paine

É a pequena civilização de Puerto Natales que recebe e distribui os turistas na visita entre o Monumento Natural Cueva del Milodón, o Parque Nacional dos Glaciares e Torres Del Paine. Considerado um dos mais belos cenários da Patagônia esse parque oferece 242 mil hectares de montanhas, rochas, lagos, cascatas e glaciares. Reconhecida por sua importância ecológica, respeitada por quem visita, o parque foi considerado uma reserva da biosfera pela UNESCO em 1978. Para quem o conhece é fácil de entender o porquê.

Na perspectiva da água

A Patagônia, terra tão bela, ganhe nova perspectiva de quem a visita pela água. Essa é a razão do sucesso dos cruzeiros locais. Em poucos dias é possível chegar onde nem sempre é possível por terra. Cruzar canyons, adentrar geleiras, fazer passeios em barcos menores, correr por entre canais, ter uma visão de fora do glaciar, tudo isso é uma experiência intensa que só tem que vai pelo mar.

Os sabores da Patogônia

Um destino tão original não poderia ser diferente à mesa. A culinária local é rica e variada.
A torta patagônica é certeza de agradar apreciadores de salmão. Outra iguaria bem diferente é o patê de javali, que traz a carne desfiada previamente marinada em vinho tinto, misturada a azeite e maionese para dar a consistência necessária, fazendo parte normalmente das “tablas de picadas” para quem deseja petiscar algo aqui e ali. Como prato principal, cordeiro faz sucesso. A centolla é outra pedida: trata-se de um caranguejo gigante que é da região do Ushuaia. Também não faltam trutas e mariscos.
As sobremesas são de tirar qualquer um da dieta. A influência galesa (sim, existiu colonização do País de Gales) é evidente na torta de mesmo nome com passas, mel, açúcar, frutas, nozes e licor. A torta de calafate é feita da frutinha símbolo da região. A de chocolate é coberta com frutas vermelhas. Dá pra resistir?

E para beber…

O vinho local começou a partir de uma uva que não prometia muito em razão da pouca chuva e do frio intenso. Isso mudou graças a uma irrigação eficiente que fez surgir videiras com promessa de agradar a todos: cabernet sauvignon, merlot, malbec, shiraz, pinot noir, e as brancas chardonnay, torrontés, sémillon e sauvignon Blanc. São ótimas opções para vir à mesa. Com a vantagem daquele que bebe poder se vangloriar que degustou da safra de vinícolas mais ao sul do planeta.
Para aqueles que gostam do diferente: cerveja pielsen, fabricação local, traz sabor de chocolate e a vermelha é produzida com framboesas. Além, é claro, do licor de calafate.

10 dicas para quem vai a Patagônia

- Quem pensa que alguns dias na Patagônia são muitos, se engana. Uma vez lá, você sempre vai achar que é pouco. Leve a máquina fotográfica. É impossível estar ali sem ela. Veja de perto um glaciar: é um monumento de água criado em homenagem à natureza.

- Pesquisa sobre a fauna local antes da viagem. Ganha um olhar diferente aquele que sabe que vai ficar pertinho de um bicho que pesa 300 kg e mede mais de dois metros, como é o caso dos lobos marinhos.

- Siga recomendações de guias especialistas. Um passeio na praia vira pesadelo para quem não sabe das marés; um animal fofinho deixa de ser assim quando não quer receber um abraço… Patagônia é natureza para ser vivida com consciência.

- Prove qualquer coisa feita com calafate. Além da frutinha levar consigo uma lenda indígena que o povo adora contar, ela é a cara da Patagônia. Para quem curte mergulho, uma boa noticia: a melhor época é o ano todo.

- Chegue ao fim do mundo: Ushuaia vale a pena. Sabe aqueles deliciosos documentários da BBC, National Geographic
e Discovery em que um especialista interage com a natureza? Vá à Patagônia sentir-se protagonista de um deles.

- Patagônia é vista diferente por aquele que está dentro de um barco. Faça um cruzeiro!