Gramado e Canela – As protagonistas da Serra Gaúcha (parte 2 de 2)

novembro 26, 2019 blogdoguru No comments exist

No meio do caminho

Na maioria das vezes, Gramado e Canela até parecem um só destino. Vizinhas, as cidades se complementam, afinal, estão a menos de dez quilômetros de distância. Para ir de uma a outra, há várias alternativas: o táxi sai por cerca de R$ 45, mas há ainda a opção de contratar tours (privativos ou em grupo), ou então utilizar o Bus Tour. No último caso, o visitante compra uma passagem e pode utilizá-lo durante o dia todo para circular, no esquema hop-on e hop-off, ou seja, embarca e desembarca quantas vezes quiser.

No caminho entre as duas cidades, pela Avenida das Hortênsias, estão algumas atrações que fogem do perfil tradicional associado à região – quem espera encontrar estátuas de Albert Einstein, heróis da Marvel e artistas como o coreano Psy na Serra Gaúcha? O Museu de Cera Dreamland reúne diversas peças inusitadas como essas e, durante a alta temporada, há filas na porta para entrar. Outro programa diferente é o Super Carros Gramados, endereço com dois andares dedicados à paixão automobilística. Ele reúne modelos-desejo da Lamborghini e outros fabricantes tão famosos quanto, games, simulador de Fórmula 1 e bar temático. Lá, dá até para fazer test drive de carrões, como uma Ferrari F355 Gallardo.

Ainda na mesma avenida está o Reino do Chocolate, espaço temático com diversos ambientes e objetos ligados à produção do doce e uma das lojas mais visitadas da marca Caracol – o ingresso custa R$ 10. O pozinho para fazer o chocolate quente da região é bem gostoso e pode ser uma ótima opção de lembrancinha, além das tradicionais barrinhas e bombons. A via abriga, também, o Café Colonial Bela Vista, um dos endereços mais tradicionais da cidade para provar o famoso café da tarde. Com preço fechado, a partir de R$ 75, serve cerca de 80 opções de quitutes, entre pães, bolos, embutidos e até apfelstrudel. Não há regime que resista!

E a poucos minutos dali, um prédio chama atenção pelo grande trem “caído” diante da fachada. É a reprodução de um trágico acidente que ocorreu na França, em que uma locomotiva desgovernada atravessou uma parede e ficou pendurada a 12 metros de altura. Apesar dessa história não ter tido um final feliz, em solo gaúcho, ela serve como atrativo na entrada do parque Mundo a Vapor e é cenário para fotos de muitas famílias.

Como o nome pode sugerir, o local reúne cerca de 20 máquinas, fábricas e usinas em miniatura que funcionam a vapor. A maior parte foi feita pelos irmãos Omar e Benito Urbani, há muitos anos (a primeira é da década de 1950), de maneira informal, sem escalas precisas, estudos oficiais ou muitas referências. O relógio a vapor, por exemplo, é um dos únicos no mundo e foi criado apenas com base em um cartão-postal do relógio de Vancouver. Outro destaque é a Fábrica de Papel que, dizem, é a menor do mundo em plena atividade. Vale lembrar que manter tudo funcionando exige muita manutenção e, se algo quebra, não há um lugar para comprar as peças, então os profissionais do parque precisam criar uma substituta a olho.

É impossível não se impressionar com moinhos, compressores, serrarias ou usinas que, ali, funcionam sem energia elétrica. O passeio leva cerca de uma hora se o visitante ouvir as explicações disponíveis sem pressa. Além disso, aqueles que viajam com crianças devem aproveitar mais alguns momentos na parte externa do Mundo a Vapor, que conta com circuito de trilhos para um passeio de trem com duração de, aproximadamente, três minutos – os pequenos adoram.

Já no centro de Canela propriamente dito, praticamente tudo tem como ponto de referência a Catedral de Pedra. Inaugurada oficialmente em 1987, ela tem 65 metros de altura, estilo gótico e é revestida com pedra basalto. O interior não é lá muito impressionante, mas a parte externa rende ótimas fotos. Seus arredores guardam – adivinhem! – mais lojas de chocolates, butiques e restaurantes. Entre eles, o Empório Canela, mistura de bar, restaurante, livraria, sebo e lojinha de decoração – muitas das almofadas, dos quadrinhos e antiguidades que fazem parte do ambiente retrô estão à venda. Tudo escolhido a dedo pelos proprietários Fernanda e Rafael, que diariamente estão no local atendendo os clientes. Dá para almoçar e provar pratos como o filé recheado com queijo brie, risoto de aspargos frescos e mix de cogumelos. É bem servido e custa R$ 59,90. Uma alternativa é fazer a pausa para refeições mais leves. O cardápio também tem sanduíches, mais de dez opções de café, seleção de caipirinhas, chocolates e sucos.

Contudo, o endereço em frente à Catedral não foi suficiente e o casal resolveu criar o Magnolia, em um casarão supercharmoso de 1958, na Rua Dona Carlinda. Com foco em cinema, o restaurante tem uma salinha de projeções que, três vezes por semana, exibe, gratuitamente, longas como Casablanca. A programação inclui, ainda, apresentações de bandas, brunch uma vez por mês e baladinhas com um DJ que só toca vinil. O foco na sétima arte se estende à decoração – o ambiente tem um ar meio O Grande Gatsby – e ao cardápio. O drinque Fellini leva Aperol, vodca, água de coco e suco de limão (R$ 18); e a sobremesa Brigite é uma fondue de chocolate com Baileys para compartilhar (R$ 28). Entre os pratos principais, provei o pappardelle com carne, molho de mostarda e conhaque (R$ 48).

Fora do miolo central, a sete quilômetros, Canela apresenta alguns programas ao ar livre bem interessantes, como a Cascata do Caracol. O turista tem duas opções para observar a queda d’água de 131 metros: pelo Parque Estadual do Caracol ou então fazer o passeio dos Bondinhos Aéreos – Parques da Serra, que leva cerca de uma hora. Na primeira alternativa, há diversos pontos de observação e trilhas em meio a áreas de mata preservada – contudo, a escada que leva de fato aos pés da cascata está fechada para obras.

Os bondinhos fazem um trajeto que dura pouco mais de uma hora e passa por três estações. A primeira delas é a central, com área de alimentação e acesso à tirolesa (paga à parte). A segunda, a 250 metros da base da cascata, tem como destaques a trilha em área nativa e a sala com esculturas de madeira que reproduzem a aparência e também o som dos animais. A parada final é diante da cascata, com a melhor vista dela para fotos.

Para terminar o dia, se o tempo estiver firme, vale a pena ir à Cervejaria do Farol. Ela tem uma torre ótima para observar o entardecer – são 137 degraus, mas a vista compensa. Além disso, o local é a prova de que a Serra Gaúcha pode até ser famosa pelos vinhos, mas como uma região de origem alemã, também tem boa produção de cervejas. Vale a pena fazer o tour com degustação: por R$ 15, o visitante conhece as diversas etapas de fabricação e ainda prova quatro tipos da bebida. A seleção vária bastante e, durante o inverno, compreende uma Pilsen (única que é fixa e está disponível em qualquer época do ano), Red Ale, entre outras. E como beber e dirigir nunca é uma boa combinação, a cervejaria oferece serviço de traslado cortesia de ida e volta aos hotéis da região para seus clientes durante a noite.

Já o Bistrô da Lu tem se tornado referência em refeições mais elaboradas. Aberto aos finais de semana, tem menu com entrada e prato principal para o almoço (de R$ 69 a R$ 75) e degustação com cinco etapas no jantar (R$ 98). A chef Lú Diehl conta que o menu costuma mudar de acordo com a disponibilidade dos ingredientes. Entretanto, sempre que possível, ela serve um peixe ou fruto do mar, filé (que é uma carne democrática) e, no último prato, costuma surpreender. Para ter uma ideia, provei uma de suas criações com carne de javali.

Terrinha de surpresas

Quando achei que a região já tinha me surpreendido o suficiente, deparo-me com homens gigantes, dinossauros, animais e seres místicos. Assim mesmo, tudo junto e misturado, no Parque Terra Mágica Florybal, que reúne mais de mil esculturas espalhadas por uma área de mata nativa. Das primeiras que encontramos durante o passeio, o Guardião da Floresta é também uma das mais impressionantes, com 11 metros de altura. Ele simboliza proteção à flora e é um mirante com vista para grande parte da propriedade.

São dois quilômetros de trilha e o cenário divertido é a reprodução do mundo imaginário que marcou a infância do fundador da marca Florybal Chocolates, Valdir Cardoso, que administra a propriedade. Em uma área de 67 mil metros, o parque tem, ainda, simulador de montanha-russa, cinema 7-D, tobogã de 70 metros em meio à mata, apresentações com bonecos, teatro, playground com camas elásticas, minitrenzinho e piscina de bolinhas, além de restaurante, lanchonete, lojinha e enfermaria.

Há cenários curiosos, como uma caverna de cristais e o Território dos Dinossauros, com bonecos que emitem sons e se movimentam – ali, uma das atrações extras é o Voo do Pterodáctilo (um teleférico com cem metros de extensão, sob as asas de um dinossauro) por R$ 10. O parque está mais afastado dos pontos centrais de Gramado e Canela, mas oferece transporte gratuito de ida e volta a partir das diversas lojas Florybal das duas cidades.

Com outro perfil, o Alpen Park reúne diversas atrações emocionantes. Entre elas, a maior montanha-russa de aço do Rio Grande do Sul, que tem percurso de 438 metros e áreas para a prática de rapel, tirolesa e arvorismo, além de muro de escalada.

É possível comprar ingressos individuais para cada brinquedo ou passaportes que combinem mais de um com valor reduzido. Assim, Gramado e Canela quebram mais alguns estereótipos e provam que são tranquilas apenas se o visitante quiser.

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