Fernando de Noronha – É nosso e é lindo demais

setembro 18, 2018 blogdoguru No comments exist

A beleza gritante somada às delícias gastronômicas da ilha e as opções de passeios totalmente in natura são as boas do arquipélago pernambucano que arrebata uma legião de apaixonados.

A experiência em Noronha começa antes mesmo de chegar à ilha. Do avião, as primeiras imagens da beleza do arquipélago já começam a invadir os olhos. Por isso, vale o conselho de reservar o assento no voo de Recife até a ilha nas poltronas da janela posicionadas no lado esquerdo da aeronave. Dali, em dias de céu claro, os azuis do céu e do mar parecem se fundir e aquela sensação de que os próximos dias serão incríveis ganha ainda mais força.

Praia do Sancho
Praia do Sancho

Imortalizada pela imagem do Morro Dois Irmãos e pela fama mundial alavancada pela Baía do Sancho, Noronha tornou-se pop, mas nem por isso perdeu seu caráter de destino preservado e sustentável. Vá preparado para encontrar praias sem qualquer intervenção do turismo – não espere achar barracas, espreguiçadeiras ou banheiros. É só areia, mar e a beleza do lugar, nada mais.

Para se hospedar, as opções são pousadas de pequeno e médio porte, que podem esbanjar charme ou serem totalmente desprovidas dele. As mais bacanudas, como a Zé Maria, a Maravilha e o hotel Dolphin, são integradas à proposta da ilha – eco-friendly e muito bem montadas. Se a ideia é economizar, a sugestão são as pousadas familiares, tocadas por moradores e ideais para turistas ávidos por bons preços. São honestas e extremamente simples.

Com 26 km², o arquipélago de Fernando de Noronha é formado por 23 ilhas e ilhotas, sendo que a maior delas, a que nomeia o destino, é a única habitada. No passado, a ilha já foi prisão, base militar e hoje se dedica ao turismo sustentável. Para pisar ali, é preciso pagar a Taxa de Preservação Ambiental (TPA), que custa R$ 70,66 por noite por pessoa e pode ser pago no site www.noronha.pe.gov.br via boleto ou no aeroporto da ilha com dinheiro ou cartão de crédito. Só pode ficar na ilha quem paga a tarifa. Aproveite também para adquirir o cartão que dá acesso ao Parque Nacional Marinho (R$ 97 para brasileiros), válido por dez dias consecutivos, no site www.parnanoronha.com.br. Só com ele é possível explorar praias como a Baía do Sancho, eleita em 2014 e 2015 como a mais linda do planeta pelo Traveller’s Choice do TripAdvisor, e a Baía dos Porcos, cujas águas verde-esmeralda revelam piscinas que são verdadeiros aquários naturais. Pode, ainda, refrescar-se no mar azul-turquesa da Praia do Leão ou nadar pela costa da Baía do Sueste. O bilhete permite também agendar as trilhas da Praia do Atalaia ou Abreus, já que existe um limite de visitação diário.

Circular por Noronha é fácil, mas exige planejamento. A BR-363, de apenas sete quilômetros, liga basicamente o aeroporto, a Vila dos Remédios e algumas praias. Para rodar pela menor rodovia do Brasil, o viajante pode pedir um táxi (na alta temporada, é uma tarefa árdua), alugar um bugue (com diárias a partir de R$ 280 + a gasolina caríssima que custa R$ 6,39 o litro) ou usar o ônibus, pagando R$ 5 o passe. Estude bem o seu roteiro e veja o que cabe melhor no bolso: o bugue traz mais comodidade e liberdade, porém os outros meios são mais baratos. A verdade é que sola do chinelo é o que mais se gasta porque, em muitos pontos, só caminhando mesmo.

O melhor mergulho

Mergulho

Donzelinhas, barracudas, tesourinhas, linguados, sargentinhos, papudinhos e outras espécies de peixes desfilam na frente de quem faz mergulho em Noronha, um dos melhores lugares do mundo para a prática. Na ilha, a visibilidade pode ser de até 50 metros e a temperatura da água beira os 26º C. Para curtir todas as belezas subaquáticas, vale a pena investir em um curso rápido seguido de batismo (em média R$ 500, descendo até 12 metros de profundidade). Com um pouco de sorte, os principiantes conseguem dar de cara com raias, moreias, tartarugas-marinhas, pequenos tubarões e golfinhos.

Os primeiros passos

Baía dos Porcos
Baía dos Porcos

Uma boa forma de entender a ilha é fazer o Ilhatour, passeio de oito horas (R$ 217 por pessoa) que dá uma geral do que é Noronha. O ponto de saída é no Projeto Tamar e os destaques do roteiro são a Baía do Sancho, Praia do Porto, Mirante da Praia do Leão, Cacimba do Padre, Baía dos Porcos e Mirante do Boldró. É ótimo para que você possa selecionar o que realmente interessa e voltar com calma. Vale a pena ter seu próprio equipamento para snorkeling. Gastam-se cerca de R$ 20 para alugar snorkel, máscara e pé de pato em cada praia em que você passar. Parece pouco, mas quando entra no pacote total de gastos, que não são leves, pode fazer diferença.

Inclua também na sua estada os passeios de barco pelo arquipélago. As embarcações percorrem as principais praias do mar de dentro, face da ilha que tem águas mais calmas. Os momentos mais esperados são o mergulho na Baía do Sancho (é belíssimo apreciá-la do barco) e o encontro com golfinhos na Baía dos Golfinhos, que rodopiam e dão grandes saltos pertinho. Com sorte, baleias jubarte e seus filhotes podem ser vistos nos meses de agosto e setembro.

Depois de uma geral pela ilha, a pedida foi um jantar intimista no Mesa da Ana. O casal Ana e Rock passou a abrir a casa para grupos de, no máximo, dez pessoas por noite. A chef Ana elabora um cardápio surpresa (são duas entradas, prato principal e sobremesa) e Rock se encarrega de entreter os convidados contando casos e histórias da ilha. O jantar é servido sob a luz das estrelas. Comer ali, só com reserva – e custa R$ 180 por pessoa.

Para apreciar como se deve

Os passeios do Ilhatour e de barco só deram um gostinho do que é a Baía do Sancho. Agora é hora de voltar para explorá-la por terra. O único acesso por via terrestre é por uma escadinha bem estreita na fenda de uma rocha. Ao chegar à areia de uma das praias mais lindas do mundo, nada melhor que curtir um merecido tempinho nesse paraíso. Só lembre-e: não há nenhum tipo de estrutura, então leve água e um lanchinho na mochila.

Vizinha, a Baía dos Porcos pode ser admirada do alto da trilha, de onde a vista para o Morro Dois Irmãos rouba todas as atenções. A foto clássica é tirada exatamente ali: selfies encaixadas com o belo monumento natural. O acesso é pela Praia Cacimba do Padre, ao lado. Apesar de seguro, o caminho é íngreme e com pedras, o que pode render uns escorregões. Cuidado redobrado, vale muito a pena descer e ver o Morro Dois Irmãos de pertinho.

Na hora do entardecer, a Praia da Conceição ganha ibope com o concorrido final de tarde do Bar do Meio. Mesinhas na areia, esteiras e até bangalôs que funcionam como o “camarote do pôr do sol” lotam nessa hora. Paquera, cerveja e o visual em si completam a experiência. Na mesma praia, o Bar Duda Rei também anima.

Histórias e sabores de Noronha

Para dar uma pausa na dobradinha sol e mar, reserve um tempinho para ir até o Museu do Tubarão. Com entrada gratuita, o espaço desmitifica muita coisa sobre o temido peixe e ainda apresenta curiosidades da ilha. O museu possui um restaurante que serve pratos à base de frutos do mar e o típico bolinho de tubalhau, carro-chefe da casa, feito com mandioca e carne de tubarão desfiada.

Aproveite para admirar dali o mar de fora, a face da ilha com águas mais agitadas, que recebe as ondas e correntezas do Atlântico. Do penhasco à frente se avista o Buraco da Raquel que, reza a lenda, era onde uma mulher encontrava-se com militares durante os tempos em que a ilha era uma base militar.

Capela de Sao Pedro
Capela de Sao Pedro

Caminhando um pouquinho, é a vez de chegar à Enseada dos Tubarões. Em dias de águas calmas, dá para ver filhotes nas piscinas naturais. Mais à frente, está a capela de São Pedro dos Pescadores, de onde sai, todo dia 29 de junho, a Barqueata, em louvor ao padroeiro dos pescadores.

Coladinha à capela, o restaurante Mergulhão também tem vista impagável para o pôr do sol, com a vantagem de petiscar linguiça flambada com cachaça (R$ 52), camarão picante na crosta de tapioca (R$ 149) ou o queijinho coalho empanado com melaço e raspas de limão (R$ 52). Com um pouquinho de sorte, como a que tive, vê-se uma baleia jubarte em um salto arrasador.

Outro local muito bom para comer é no Restaurante El Perro. Funciona somente à noite e possui um cardápio que mescla comida mexicana, peruana e frutos do mar. Até de madrugada, é uma ótima pedida para quem pretende esticar a noite e comer algo diferente na ilha. O saboroso ceviche de atum marinado com limão e shoyu é um espetáculo.

Bem em frente ao El Perro, o Bar do Cachorro é mais uma opção de restaurante com vista. Pescados e frutos do mar são o carro-chefe. Além da gastronomia, a programação musical é eclética e animada, com show de sax para embalar o pôr do sol, seguido de maracatu, MPB, forró e sertanejo. Para se esquecer da hora e da vida nesse pedacinho de céu que é Noronha!

Um banquete na areia

Não há como ir embora de Noronha sem passar uma noite se refestelando de frutos do mar no Festival Gastronômico do Zé Maria. O carismático Zé Maria é proprietário da pousada de mesmo nome e comanda de perto esse evento que já virou tradição na ilha. O anfitrião prepara um farto banquete com dezenas de pratos, que vão de paella a arroz de jaca, massas e comida japonesa. A mesa de sobremesa não fica atrás, repleta de tortas, bolos, musses e saladas de frutas. Música ao vivo rola durante todo o jantar e anima a noite. O festival acontece todas as quartas e aos sábados, a partir das 20h30 (R$ 230 por pessoa). Às quintas-feiras, a pousada faz a noite da pizza.

Onde ficar?

Em nossos roteiros de Fernando de Noronha selecionamos as melhores opções de acomodação da ilha. Elas variam entre pousadas de categoria turística, executiva. As pousadas de categoria turística são simples, com poucas acomodações o que permite um atendimento mais próximo e personalizado. Todas elas possuem todos os itens básicos de conforto para curtir sua estadia na ilha: banheiro privativo, ducha quente, ar condicionado, tv e frigobar. As pousadas são bem localizadas, próximas aos principais bares e restaurantes bem como do único hospital do arquipélago.

Um exemplo de pousadas de categoria turística é a pousada da Michelle, localizada na Vila Floresta Nova, a poucos minutos de caminhada até o centro.

As pousadas de categoria Executiva são de médio porte, geralmente contam com mais acomodações e maior estrutura física. Algumas trazem diferencias, como as piscinas, que é o caso da Pousada das Flores. Localizada na Vila do Trinta, também a poucos minutos de caminhada até o centro, a pousada tem uma pequena piscina de fibra e um caloroso atendimento de toda a equipe.

Fonte: Revista Viajar Pelo Mundo

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