Alemanha – Rota Romântica

abril 23, 2019 blogdoguru No comments exist

A Alemanha dos nossos sonhos tem sua maior expressão na Rota Romântica, esse belo caminho de centenas de quilômetros que harmoniza em um só roteiro pequenas cidades medievais, casinhas em estilo enxaimel, longos campos verdes, magníficos castelos e estradas sinuosas que seguem o Rio Meno e o Rio Tauber até encontrarem os alpes alemães, quase na fronteira com a Áustria. É uma viagem cheia de paradinhas, repleta de histórias e belezas que provocam suspiros do começo ao fim.

Confira a nossa programação completa de roteiros pela região.

A Rota Romântica é um dos caminhos mais procurados por quem deseja turistar pela Alemanha. Ao todo são 460 quilômetros que cortam os estados da Baviera e de Baden-Württemberg. O trajeto envolve quase 30 paradas que podem ser feitas ao longo da viagem. O tempo do percurso fica a critério de cada um, mas reserve pelo menos quatro noites (nós dormimos em Würzburg, Dinkelsbühl, Augsburg e Füssen). O roteiro mais comum começa em Würzburg e termina em Füssen, com direto a esticadinha até Zugspitze e Munique. A rota pode ser feita em qualquer época do ano, com as ressalvas de que, se quiser paisagens verdes e aproveitar os festivais, é preciso cair na estrada entre junho e setembro. Já para aproveitar os mercados natalinos, devem-se escolher datas a partir do final de novembro.

Apesar de ser possível cobrir a rota de trem ou até ônibus (em um batidão de um dia de Frankfurt a Munique e vice-versa), carro é mais vantajoso pelo tempo e pela liberdade que dá à viagem. Lembre-se de alugar GPS ou habilitar o aplicativo no celular.

A tendência é que a rota calculada siga pela rodovia principal e não pelas estradinhas secundárias, que são mais bonitas e sinalizadas com placas “Romantische Strasse”.

Mas só com o GPS fica confuso se manter o tempo todo nessas vias menores – ter um mapa impresso, disponível em qualquer hotel, ajuda a seguir a rota propriamente dita. Quem chega à Alemanha por Frankfurt (há voos diretos do Brasil), leva apenas uma hora e 20 minutos de carro até chegar em Würzburg, a primeira cidade do trajeto. Já quem está em Munique costuma começar por Füssen.

Würzburg

A simpática Würzburg é o ponto de partida ideal da viagem pela Rota Romântica. Às margens do Rio Meno, tem como passeio principal o castelo de Festung Marienberg. Para chegar até ele, cruza-se a majestosa ponte Alte Mainbrücke, adornada por esculturas de santos e governantes, e sobe-se uma colina recheada de vinhedos. Antigo forte, Festung foi construído a partir de 1200, tendo sido residência dos príncipes-bispos de Würzburg. Hoje abriga um museu sobre a cidade.

No século 18, a sede do governo passou a ser o Residenz, outra atração imperdível. Trata-se de um conjunto de palácio e jardim que faz parte da lista dos patrimônios da Unesco, ostentando um afresco pintado pelo mestre italiano Tiepolo.

Além do passado medieval e barroco, Würzburg ainda carrega com orgulho outra tradição típica da Francônia (região ao norte da Baviera): a cultura do vinho. Das uvas Silvaner e Rotling são produzidos há séculos alguns dos rótulos mais consumidos do país. Curiosamente, um dos endereços mais famosos é o Juliusspital, um hospital que também possui uma vinícola. Além de ter parte de sua renda oriunda da venda de vinho desde o século 16, a entidade também é o berço do bocksbeutel, a típica garrafa achatada e arredondada.

Para jantar, a dica fica por conta do restaurante Weinhaus Schnabel. Desde 1899, ele é conduzido pela mesma família e fica numa portinha despretensiosa no centro da cidade. Muito frequentado por locais, a casa serve comida típica da Francônia, como o clássico schweineschnitzel (espécie de filé empanado com limão e salada de batata) e a truta com salada de batata.

Rothenburg ob der Tauber

Muitas lendas rondam Rothenburg, a 60 quilômetros de Würzburg. Uma delas garante que, em 1631, durante a Guerra dos Trinta Anos (conflito que envolveu diversos países europeus, em especial a Alemanha), o general Tilly tinha planos de incendiar a vila, mas ao ser recebido com um copo de mais de três litros de vinho, mudou seus planos e desafiou os moradores: se alguém fosse capaz de tomar toda a bebida num único gole, a cidade seria preservada. Em um ato inesperado, o prefeito conseguiu esse mérito e a salvou da total destruição.

O ponto mais fotografado por ali é a Plönlein, uma “esquina” formada pela torre Siebersturm, de 1385, e pelo portão medieval de Kobolzeller Tor, tudo isso misturado com as casinhas em estilo germânico que dão ares de conto de fadas a essa vila. Dizem que é desse ponto que veio a inspiração de Walt Disney para criar a vila do Gepeto em Pinóquio.

De um cartão-postal para outro, logo se chega à Marktplatz, a praça do mercado, onde se avista o Ratstrinkstube (o prédio do relógio) e a Rathaus (prefeitura), de cuja torre temos uma vista sensacional do casario histórico. Famosa pelo seu tradicional mercado de Natal, a cidade tem clima festivo praticamente o ano todo graças à Käthe Wohlfahrt, considerada a maior loja de produtos natalinos da Europa.

É nesse ponto da rota que um doce típico faz sucesso: a schneeballen, algo como “bola de neve”, uma receita do século 19 tradicionalmente servida em celebrações como batizados e casamentos. A massa tem o tamanho de uma bola de tênis e é bem crocante, podendo ser encontrada por toda a cidade com diversos tipos de cobertura.

Dinkelsbühl

Mesmo que as grandes excursões passem por ali rapidamente, a cidade permanece com jeito de vida pacata do interior da Alemanha. A 50 quilômetros de Rothenburg, é uma das grandes surpresas da rota: com fortes traços medievais, Dinkelsbühl é cercada por muralhas.

Suas casas coloridas são centenárias e bem conservadas, o que contribui para um clima romântico. Outra fábula relacionada à Guerra dos Trinta Anos também trouxe certa fama para a cidade.

No século 17, ela foi tomada pelos suecos, mas conseguiu sair ilesa graças a um grupo de crianças que se reuniu para pedir clemência. O resultado pode ser visto até hoje nas lembranças preservadas em seus muros e torres.

Dessa história nasceu a festa mais popular da região, que acontece desde 1897: a Die Kinderzeche. Ao longo dos dias de celebração, os moradores se envolvem na reconstituição de cenas míticas e nas apresentações de músicas folclóricas. Como toda boa festa típica na Alemanha, ela é sempre acompanhada de muita bebida e comida bávara.

Nada melhor do que fechar a passagem por Dinkelsbühl visitando a Weib’s Brauhaus, um restaurante típico que produz sua própria cerveja. O cardápio é cheio de clássicos alemães e a casa se orgulha de valorizar a sustentabilidade e as tradições da terra. O pessoal é simpático e as porções são germanicamente bem servidas.

Castelo de Harburg

No alto de uma colina da pacata cidade de Harburg, a 50 quilômentros de Dinkelsbühl, fica um dos castelos mais antigos do sul da Alemanha, construído em meados do século 12. Por muito tempo, o Castelo de Harburg desempenhou uma função militar importante, além de ter sido ponto de distribuição de mercadorias vindas da vizinha Augsburg.

Para conhecer mais sobre os séculos de tradição, o tour guiado mostra como era a vida nas dependências dessa construção que sobreviveu a numerosos cercos e guerras. Ao longo dos seus 800 anos de história, ele serviu por algum tempo como residência real e governamental e foi ganhando novos edifícios – o que explica a variedade de estilos encontrados nas construções (desde gótico, romântico, renascentista até o barroco).

Os visitantes podem conhecer a torre da prisão (o visual do alto é lindo), os jardins, pátio, o salão real e a igreja de São Miguel. Ainda há restaurante, biergarten e lojinha de suvenir que vende cervejas especiais da região, como a Fürst Wallerstein que, desde 1598, usa lúpulo e malte do entorno da cidade para produzir uma bebida com sabor ligeiramente torrado.

Os tours acontecem a cada hora, das 10h às 17h. O estacionamento é gratuito e fica a uns cinco minutos de caminhada da entrada. Durante todo o ano acontecem eventos especiais.

Augsburg

A 58 quilômetros de Harburg, a cidade de Augsburg guarda mais de 2 mil anos de história e é considerada uma das mais antigas da Alemanha. No século 16, foi um dos mais importantes centros comerciais da Europa e, durante a reforma luterana, desempenhou um papel determinante no rumo dos acontecimentos.

Seu passado ficou marcado graças às conquistas da família Fugger, uma das mais ricas da Europa há séculos. Os Fugger financiaram parte do avanço do império espanhol no domínio do Peru e do Chile e acumularam riqueza superior até mesmo à do próprio Vaticano, graças ao enorme império comercial e bancário que fundaram pelo Velho Continente.

Eles ajudaram a construir vários símbolos da cidade, como as igrejas e algumas casas populares – muitas em funcionamento até hoje. Ao passear pela Maximilianstrasse, rua principal do centro, as pinturas nas fachadas dos antigos casarões preservam as histórias locais.

Para completar o clima, o restaurante típico bávaro Ratskeller funciona no porão do prédio da prefeitura e oferece uma deliciosa flammkuchen – a pizza alemã de massa bem fininha com coalhada azeda, ervas, bacon e cebola. Para a sobremesa, a doceria Euringer é famosa pelo bienenstich, uma torta apelidada de “picada de abelha”, que tem cobertura de mel e recheio de creme de amêndoas.

Landsberg am Lech

A 42 quilômetros de Augsburg, o coração de Landsberg é a Hauptplatz, praça triangular que guarda uma linda torre do período em que ela era toda murada. Ponto importante da rota de comércio italiano que seguia para Augsburg, a cidade ainda possui um conjunto de 500 edifícios históricos bem preservados. Perto da praça central, o Rio Lech passa por uma queda d’água construída há mais de 600 anos. Aqui, a paisagem já começa a dar os primeiros sinais de que os alpes estão chegando. É um ótimo lugar para descansar e aproveitar seus cafés.

Steingaden

Percorrendo 45 quilômetros em uma pequena estrada sinuosa, aparecem os primeiros contornos da Wieskirche, ou Igreja Branca, cujo caminho é a perfeita definição de bucólico. Acredita-se que foi fundada depois que fiéis observaram uma estátua vertendo lágrimas humanas. Ela é muito procurada por peregrinos do mundo todo, além de ser patrimônio da Unesco e um dos maiores exemplos de obra rococó da Baviera.

Füssen e castelos

A 20 quilômetros de Steingaden, quase na fronteira com a Áustria, Füssen
é a cidade mais próxima dos famosos castelos de Neuschwanstein e
Hohenschwangau, podendo servir como base para um pernoite. A cinco quilômetros de Füssen, os castelos estão ligados à história do excêntrico rei Ludwig II da Baviera. O mais famoso deles, o Neuschwanstein, começou a ser construído como seu refúgio encravado na montanha em 1869 e não foi terminado porque o rei, já completamente sem recursos e considerado louco, foi encontrado morto em um dos lagos da região. É tão impressionante que foi fonte de inspiração para a criação do castelo da Cinderela no Magic Kingdom, parque da Disney em Orlando. Já o castelo de Hohenschwangau é mais simples e foi a casa oficial de Ludwig II até sua morte em 1886.

Dica

A partir de Füssen, a trilha Kalvarienberg leva cerca de 30 minutos até um mirante com vista para o Lago Forggensee, a cidade e os castelos. Ao longo do caminho podem ser contempladas 17 capelas que simbolizam a via-crúcis.

Como visitar os castelos

Quem vem dirigindo deve deixar o veículo no estacionamento da vila de Schwangau, que fica aos pés dos castelos e conta com restaurantes que podem ser a parada do almoço, ótimos para quebrar o ritmo do passeio. O ideal é reservar o horário da visita guiada de ambos os castelos com antecedência para não correr o risco de esgotar o limite diário de visitantes.

Neuschwanstein: da bilheteria até o castelo, pode-se subir a pé (cerca de 40 minutos com trechos íngremes), de ônibus ou charrete (em ambos, os preços são cobrados por trecho e variam conforme a época). O ônibus para na Ponte Marienbrucke, um dos melhores pontos para fotografar o castelo. Depois é preciso caminhar 15 minutos até o Neuschwanstein.
Batizado como Novo Cisne de Pedra em alemão, o castelo foi inspirado em uma ópera de Richard Wagner e seu suntuoso projeto previa mais de 350 cômodos. Atualmente, apenas alguns fazem parte da visita guiada, que dura cerca de 30 minutos, como a Sala do Trono, que conta com peças em pedras preciosas e uma pintura com Jesus e os 12 apóstolos. O castelo ainda possui cozinha, oratório, sala de jantar, dormitório de funcionários e até uma gruta artificial com cascatas – porém, é proibido tirar fotos no interior.

Hohenschwangau: o castelo fica a 20 minutos a pé da bilheteria (também há opção de charrete) ou a 40 do Neuschwanstein. A visita interna passa pela Sala de Música, onde está o piano que, dizem, o famoso compositor
Richard Wagner tocou durante suas estadas no palacete. No mesmo aposento está o telescópio com o qual Ludwig observava a construção de Neuschwanstein, sua mais ousada empreitada.

Museu dos Reis da Baviera: de volta à vila, a cinco minutos de caminhada da bilheteria, este museu aberto em uma casa histórica expõe a trajetória da dinastia Wittelsbach, uma das mais antigas da Europa, que coroou diversos reis bávaros. A exposição interativa é um dos pontos altos da visita.

Zugspitze

O final da rota também pode coincidir com o ponto mais alto da Alemanha, a 46 quilômetros de Füssen. Zugspitze é uma enorme montanha com mais de 2.960 metros que, no inverno, funciona como uma estação de esqui. Nos meses quentes, transforma-se num centro de trekking e num dos mais belos mirantes do país. O acesso é feito em teleféricos a partir da cidadezinha de Garmisch-Partenkirchen, mas para quem vai de carro partindo de Füssen, o trecho mais bonito é via alpes austríacos, num percurso de menos de duas horas. O passeio fica mais completo com uma caminhada à beira do Lago Eibsee.

Por Natalie Soares | Revista Viajar pelo Mundo

Tags:, ,

Deixe uma resposta